 |
Pobre do país que tem um exemplo desses |
Idolatrar: Adorar, amar sem dúvidas, sem incertezas.
Eu tenho ojeriza a idolatrias.
Abomino qualquer relação em que uma das partes está em posição de submissão ou de inferioridade a outra.
Imaginar que alguém, que como você, evacua, acorda com um cheiro desagradável na boca, e virará pó, possa ser merecedora de tal sentimento, me desanima como ser humano.
Mas a mediocridade e os complexos de inferioridades devem também ser respeitados.
Ronaldo abandonou a carreira.
O sistema Globo de comunicação, em especial, quer transformar isso em algo épico, histórico.
Não é.
Mas sabemos porque isso acontece.
Não tem duas semanas que Neto e Datena(veja quem é suficiente para dar lição de moral em Ronaldo) explicaram o porquê.
Porque Ronaldo é puxa-saco, coisa que Romário por exemplo, nunca foi.
Durante toda a carreira de Ronaldo, quiseram colocá-lo como exemplo de superação.
Se a mensagem a ser passada fosse apenas essa, ok, eu concordaria.
Mas queriam que você acreditasse, que Ronaldo era um exemplo de superação nacional, e que você deveria se sentir representado por isso.
Mentira.
Ronaldo superou o que resolveu superar porque ficaria ainda mais podre de rico do que já era.
Um adúltero não pode ser exemplo.
Um esportista que queira-se ou não, lamente-se ou não, é ídolo de crianças, não pode deixar a esposa em casa para procurar sexo com travestis.
Simplesmente não pode.
Ou seja digno e abra mão de ser exemplo.
Diga que não quer, que é um homem como qualquer outro, que não quer tal fardo pra si.
Mas isso Ronaldo não fez.
E não fez porque afetaria sua conta bancária.
E não pode ser ídolo quem pensa na sua já abarrotada conta bancária, antes de uma legião de crianças que o imita desde de um ridículo corte de cabelo até sabe-se lá onde.
Não pode ser ídolo, exemplo, quem, num país de merda como o nosso, fudido como o nosso, faz uma festa de milhões de dólares para se casar.
É um tapa na cara, um cuspe no rosto de cada um que não tem sequer dignidade neste país.
É questão de escolha, ou faça a festa, ou seja ídolo.
Ele quis os dois. E aceitaram.
Não tem dois meses que Ronaldo "doou" 80 toneladas de mantimentos para os miseráveis da região serrana do Rio.
Todos sabem que não doou nada, não tirou um centavo do bolso.
E sendo este texto sobre Ronaldo, e não sobre os miseráveis de Friburgo e adjacências, cabe a pergunta, porque Ronaldo fez o que fez?
Será que sempre faz?
Será que fez por altruísmo?
Será que fez por ter um lapso de arrependimento por gastar com travestis e festas, o que muitas pessoas não ganharão na vida?
E o principal: porque comunicou o que fez???
Eu não gosto de idolatrias, mas reconheço sua existência.
Eu admito também que cada um faça o que quer, mas com um porém.
Um enorme porém.
Desde que não se coloque, ou não aceite que o coloquem num pedestal, como um exemplo, como um ídolo.
Mas Ronaldo sempre quis ter a fama de bom moço, de bonzinho, de bom garoto, e ao mesmo tempo fazer o que queria.
Nunca admitiu por exemplo, que procurou travestis e não prostitutas.
E como ídolo, como exemplo, o mínimo que teria que fazer era dizer a verdade.
Mas ele como sempre, quis ser ídolo mas não arcar com o preço de sê-lo.
Na Copa de 2006, chegou gordo, fora de forma, cagou e andou para você caro amigo que enchia o rabo de álcool e esperança, na expectativa de ganhar a Copa.
E nem pense em contra argumentar que Adriano também chegou gordo.
Não compare quem passou toda uma vida profissional se aliando ao "mais forte" para lucrar muito com isso, com alguém que nunca fez a menor questão de ser exemplo, e que por isso mesmo, sem dó nem piedade, é considerado por todos, a escória do mundo do futebol.
Ronaldo é um covarde.
Pessoas próximas a ele sabem o quanto a história dos travestis mexeu com ele, o afetou.
E quando chegou o momento de realizar o seu sonho, sonho este aliás que passou toda a carreira dizendo aos quatro ventos que faria de tudo para tornar real, no momento em que já treinava no clube de seu coração, Ronaldo fugiu.
Ou será que alguém em sã consciência acha que Ronaldo acordou corinthiano numa determinada manhã de Dezembro de 2008?
Ou ainda, que a proposta que Ronaldo recebeu do time paulista era tão excepcional que nenhum outro clube do país teria condições de chegar perto, e por isso sequer se deu ao trabalho de comunicá-la ao Flamengo, não pelo Flamengo, mas por ele, por seu sonho?
Ronaldo fugiu para a província.
Para onde há historicamente, o hábito de se abafar o que de ruím acontece em seus limites geográficos.
Foi para o clube que toda a mídia, e em especial o meio de comunicação que o adotou, tem um enorme "carinho".
Ronaldo sabia que no Rio, a história seria diferente.
Sabia que a pressão seria grande, talvez insuportável, e que teria que ser homem o suficiente para encarar tudo isso de frente.
Entre o sonho e a fuga, vocês sabem pelo que Ronaldo optou.
Apenas a título de curiosidade, quantas vezes você leitor, viu algum órgão da mídia paulista citar o caso dos travestis, desde que Ronaldo chegou a São Paulo?
Ronaldo passou pela Holanda, Espanha e Itália, além do Brasil.
Vá a Barcelona e pergunte a um torcedor local se tem mais saudades de Ronaldo ou de Romário.
Vá a Madrid e pergunte sobre sua passagem por lá.
Em Milão, faça a mesma pergunta para a metade rubro-negra e a outra, azul e preta.
Eu sempre respondi a quem me dizia que os irmãos Gallagher eram uns "caras escrotos" e por isso não gostavam do Oasis, que eu curtia a música, o produto deles.
Infelizmente, essa justificativa não vale para alguém que por infortúnio de nossa sociedade, tem uma legião de fãs infantis pelo Brasil afora.
Despediu-se do futebol hoje portanto, alguém que não tem os requisitos básicos, não para ser um ídolo, mas para ser admirado como homem mesmo.
Ronaldo, você já vai tarde.