Mostrando postagens com marcador Flamengo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Flamengo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Que Ronaldinho Gaúcho terá o Fla?

Não há dúvidas, o Ronaldinho que estréia hoje, é o do Milan. É?
 
Pois bem, chegou a hora.
Em alguns minutos, Ronaldinho Gaúcho estreará pelo Flamengo.
Ronaldinho é o maior jogador que vi atuar.
No auge, nem Messi, nem Zidane o superaram.
Mas o futebol jogado por ele que me fez ter esta opinião, não existe mais. 
Há pelo menos cinco anos, Ronaldinho simplesmente não consegue fazer o que fazia.
As razões, ou melhor, a razão é elementar: seu preparo físico não permite.
Assim como outros grandes craques recentes do futebol brasileiro, Ronaldinho deixou de ser um atleta, e a consequência seria inevitável.
Nos últimos anos pelo Milan, Gaúcho no máximo foi um bom coadjuvante, e mesmo assim o era em jogos mais fáceis contra "Livornos" da vida. 
Em seus piores momentos, errava tudo, tentava inúmeros lançamentos, todos com muita elegância, aliás a mesma dos bons tempos. A diferença, fundamental, é que nenhum chegava até seu destino intencional, os pés de um companheiro, eram todos infrutíferos.
Em 2009, Adriano venceu um Campeonato Brasileiro com Petkovic.
No mesmo ano, Ronaldo venceu uma Copa do Brasil e um paulista, com um pouco menos de importância até que Adriano, em função da qualidade maior do elenco corinthiano à época.
Em termos de idade, Adriano voltou ao Fla com 27 anos e Ronaldo chegou ao Corínthians com 32.
Ronaldinho fará 31 daqui há um mês. A idade não é problema.
Problema, há cinco anos, é a parte física. Não se encontram muitas histórias de superação vencedoras como as que Ronaldo Fenômeno tem em seu currículo.
O Gaúcho, de 2006 pra cá, não teve nenhuma. 
A curva segue em sua tendência de queda sem mudanças de rota.
O que eu espero de Ronaldinho, é o que vi de Ronaldinho nos últimos dois anos.
Muitos erros, e alguns acertos em jogos mais fáceis.
Qualquer coisa diferente disso, será parte de uma história de superação que o craque jamais escreveu.
E só poderá ser atribuída à uma rara motivação proveniente de um jogador que é capaz de falar as seguintes palavras: 
"Esqueçam tudo o que vocês leram nos jornais sobre minha preferência pelo Grêmio. Eu sempre quis o Flamengo, sempre falei que minha carreira não seria completa se eu não jogasse aqui. E sabem por quê? Por causa de vocês (torcedores). Vários jogadores que vocês nem imaginam sonham jogar aqui. Estamos juntos. Vou retribuir tudo isso em campo."
Que ele prove que estou errado.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

E aí César, quantas vezes seu passe valorizou?

 
O sucessor de Júlio: César!
* Parabéns ao Fla pelo título da Copinha(?) de 92 times.
Agora é abrir o olho porque o craque da final e melhor goleiro da competição pertence ao Sendas, clube da segunda divisão carioca. Não enxergaram antes, agora gastarão os olhos da cara.

E o troféu para o "Analista de bocha" do ano vai para...
* Durante e após sua nefasta e recente passagem pelo Flamengo Zico criticou muita coisa, quase todas óbvias.
Solução que é bom, não disse qual seria, não a praticou e fechou sua bizarra gestão com o ato de covardia que todos conhecem.
Uma das críticas que Zico fez, foi às divisões de base Flamengo.
E hoje...
É, parece que todas as bolas dentro que o Galo tinha no estoque para descarregar na vida, foram gastas dentro de campo.

Bom coração, sei...
* E o Fenômeno hein?
É candidato nas próximas eleições ou, ainda traumatizado com o caso da Praça do Ó, não se cansa de tentar melhorar sua imagem?
Dar entrevista no meio de um armazém com toneladas e mais toneladas de donativos atrás, que muito provavelmente nem foi ele que doou, foi canastra demais.
Doação é para ser feita. 
Doação com presidente do clube ao lado, fazendo comentário sobre o próximo jogo e com direito a coletiva de imprensa, imprensa essa que foi previamente avisada do circo, não é doação.
É praticar o abominável ato de utilizar-se do sangue alheio para benefício próprio.
Mas os Boças de plantão, com certeza adoraram.

Mande o currículo da sua avó para a ESPN São Paulo!
* Segundo Flávio Gomes, Roberto Carlos, que alguns jornalistas paulistas tentaram enfiar à fórceps na Copa do Mundo da África, é um fenômeno e joga hoje mais do que jogou no Real Madrid.
Tenho certeza de que a opinião do paraquedista, digo, do jornalista, seria rigorosamente a mesma se o atleta jogasse no Flamengo. 
E ok, opinião é que nem c%#@$*ú, mas só pra constar, o referido jornalista é comentarista de automobilismo e entende tanto de futebol que torce pela Portuguesa.
Mas num canal onde um ex-treinador de basquete desempregado, também comenta futebol, nem é de se espantar. 

domingo, 23 de janeiro de 2011

Vai eliminar a Janaína, e vê se não enche, Luxemburgo!

Papai Noel? Coelhinho da Páscoa? Cantora de MPB hétero? Não, é apenas algo de bom que o diretor Zico fez pelo Fla
 
Amanhã no bizarro horário das 10:00, Bahia e Flamengo decidem a Copa São Paulo de empresários.
Não conheço o time do Bahia, vi poucos momentos do jogo em que quase entregou de bandeja a vaga para a semi-final ao rival Vitória, num jogo em que tinha um jogador a mais e a vantagem no marcador.
O Flamengo vi um pouquinho mais, trechos da partida contra o Coritiba, em que golearam por 6 a 2.
A princípio, mas bota a princípio nisso, os mais talentosos parecem ser Rafinha e Adrian. Lorran e Lucas também se destacaram. Negueba é mais um daqueles moleques cheios de ginga, jogo de cintura, mas futebol que é bom mesmo ainda não vi muito, principalmente quando esteve no time principal.
É sempre bom lembrar que a passagem dos juniores para os profissionais é tão importante na carreira de um jogador quanto o seu parto. Kaká foi reserva nas divisões de base do São Paulo. Pintinho seria o novo Zico.
Vejam onde estão Kaká e Pintinho hoje e confirmem ou não a minha afirmação.

Santa idiotice
* Aliás, ainda sobre este aparente bom time de juniores do Flamengo, é irresistível não falar de mais uma asneira que Luxemburgo comete em sua carreira. 
Há no time rubro-negro um atleta chamado Muralha. Volante, parece.
Pois bem, eis que ao assistir a bela campanha rubro-negra na possante "Copinha", o professor(?) Luxemburgo tem um acesso de melancíate pescoçal e resolve ligar para a delegação do Fla em São Paulo ordenando que passem a chamar o rapaz pelo seu nome de batismo, Luis Felipe.
A razão? O apelido traria muita responsabilidade ao garoto pois o apelido "Muralha" induz as pessoas, na esmáltica cabeça de Vanderlei Luxemburgo, a imaginar que o rapaz é intransponível.
Agora me diga você, caro leitor: foi genial ou não J.C. ao ter criado nosso simpático saco escrotal com rugas milimetricamente pensadas para a hipótese de ter que ser violentamente alargado?
Meu Deus do céu, Pelé, Zico, Garrincha, Tostão, Dinamite, e mais quantos outros craques que já surgiram no nosso futebol não tinham apelidos como nome oficial no mundo do futebol?
E o que atrapalhou na vida de cada um deles o tal apelido?
E o principal: no mundo em que vivemos hoje, em que contratos de imagem são responsáveis por mais da metade do salário de um jogador, em que, independente da área analisada, ser autêntico, diferente da média, é quase tão importante quanto o talento em si, não é de uma ignorância a toda prova desperdiçar um apelido absolutamente pessoal e cheio de potencial mercadológico dentro para chamar o rapaz apenas pelo insosso nome de batismo?
Infeliz do clube que tem um semi-analfabeto com uma incontrolável vontade de aparecer como vice presidente de marketing.

O Gareth Bale da terra de Lindbergh
* No meio da infernal fase do Vasco, uma observação sobre o jogo contra o Nova Iguaçu: parece ser bom jogador o lateral-esquerdo Cortez do time alaranjado.
A conferir nos próximos jogos.

Amor em promoção!!!
* Peraí, tudo bem que Zé Eduardo teve 60% de seus direitos comprados por 700 mil reais e ofereceram agora mais de 6 milhões da mesma moeda.
Mas poxa, Neymar vale hoje mais de 75 milhões de reais e o tal do Zé Love é vendido imediatamente ao oferecerem menos de 10% disso?
Não rolou nem uma negociaçãozinha fake só pra valorizar o garoto?
Sei não, mas acho que há na Vila uma quase certeza de que se trata de um talento pra lá de sazonal...

OFFutebol - "Transex de Cristo"
* Me tirem só uma dúvida, o que faz Marcelinho Carioca de peruca black no BBB 11?



Vocês tem certeza que tiraram o transexual no primeiro paredão?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Entrevista do Carvalho - Edição de 29 de Dezembro de 2010 - ATHIRSON

Com mais de 40 gols, Athirson é o maior lateral-artilheiro da história do Flamengo

 
Athirson é um exemplo clássico de como o Flamengo cuida de sua outrora qualificada "prata da casa".
Revelado por suas divisões de base e torcedor do clube, ele foi emprestado ao Santos ainda jovem, e liberado sem direito a qualquer pagamento ao Juventus de Turim anos depois.
Com uma carreira de sucesso, mas que poderia ter sido ainda mais dourada, Athirson é uma figura doce e disciplinada.
Talvez, fruto de uma educação militar por parte de seu pai.
Talvez, em função de ter estudado num ótimo colégio, o mesmo aliás em que este humilde escriba passou cinco anos de sua vida.
A "Opinião" hoje, é sua Athirson!

 



E com a entrevista de Athirson, encerramos as "Entrevistas do Carvalho" em 2010.
Foram treze entrevistas exclusivas que você pôde e pode quando desejar, assistir aqui no "Opinião".
Tomara que o "13" dê sorte e que em 2011 se bobear, até o Zagallo passe por aqui.
E 2011, como diria o psicotrópico apresentador, afinal de contas, já é logo ali.
Muito obrigado pelo incrível e velocíssimo sucesso. 

sábado, 4 de dezembro de 2010

Entrevista do Carvalho - Edição de 4 de Dezembro de 2010 - MARCELO LOMBA


 
O Brasil não tem 190 milhões de treinadores, como se costuma dizer de brincadeira.
Tem sim, 190 milhões de habitantes que não entendem praticamente nada de futebol e vivem repetindo o que comentaristas quase tão míopes quanto eles falam.
Nos últimos jogos do Flamengo, parte da torcida, é bom que se diga, começou a vaiar e pedir a barração de Marcelo Lomba. Uma meia dúzia de desocupados, chegou ao ponto de ir ao CT do clube pedir a saída dele e de outros jogadores.
Marcelo Lomba, até assumir o posto de titular do Flamengo na volta da Copa do Mundo, havia feito apenas três partidas como titular do time. Não jogava há dois anos.
Entrou, se destacou, salvou a equipe em vários jogos mas termina o ano sofrendo uma campanha covarde por parte da torcida.
Tudo isso que escrevi acima, era minha opinião até entrar em contato com ele na última segunda-feira, 29 de Novembro.
No dia em questão, falei rapidamente com ele que aceitou fazer a matéria.
Não consegui contato nem terça e nem quarta conforme combinado.
Falei com ele ontem à noite e ele foi sincero.
"Cara, não tô dando entrevistas porque vão querer só me derrubar, por isso eu e o clube decidimos dar um tempo."
Expliquei à ele que as matérias feitas no "Opinião" não são como de jornais e rádios, que buscam a notícia imediata. Faço sim matérias que buscam mostrar algo mais que apenas o atual.
Marcelo então marcou comigo às 21:00 em sua casa.
Ao contrário do que havia combinado, não fez a matéria na portaria.
Me recebeu juntamente com seus pais em sua casa num horário que sabemos que pouca gente gosta de receber conhecidos, imagina estranhos.
Minha máquina não funcionou.
Fiz a matéria que vocês verão agora com a câmera dele, que após o fim da entrevista ofereceu para que eu a levasse a fim de passar a mesma para o meu computador.
Fiz questão de contar toda a história que cerca esta entrevista, por uma única razão:
O Flamengo tem hoje um goleiro que além de ser formado em suas divisões de base, é campeão mundial sub-17. Tem grande potencial, como mostrou quando entrou na fogueira que era a meta do clube após o caso Bruno.
E o Flamengo tem hoje, principalmente, um goleiro bom caráter, que pode ser exemplo para toda uma leva de crianças que buscam nos jogadores do seu time, um ídolo.
Parabéns Flamengo.





quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Carta ao torcedor otário

Rio de Janeiro, 10 de Novembro de 2010.

Olá meu caro idiota.
Escrevo desta vez, não para simplesmente pedir pela enésima vez seu fácil dinheirinho.
Dinheiro que você nos dá, como um bom babaca que é, a cada seis meses quando modificamos uma vírgula na nossa outrora sagrada camisa. Ah meu bom babaca, obrigado por preferir dar R$ 160,00 para os nossos bolsos do que R$ 35,00 para os do camelô, aquele "ladrão". 
E fique tranquilo, sabemos perfeitamente o que fazemos com esse valor. No fundo, acho que você também sabe.
Obrigado sinceramente por pagar todo mês "módicos" R$ 52,90 para assistir os jogos do nosso clube pela televisão. Ou melhor ainda, por pagar, 30, 40, 50 reais por um lugar na arquibancada suja e mal conservada de nossos jogos, após entrar no estádio imprensado entre os cavalos da PM e o muro. Santo dinheirinho esse, que ao contrário do anterior, vai direto para o nosso bolso.
Ah meu doce e necessário Zé Mané, você que fica até 72 horas para comprar um ingresso para um jogo decisivo do nosso amado clube, mas que na hora "H" não consegue comprar porra nenhuma porque já negociamos a maioria deles com empresas de turismo. Você, saiba disso e nunca se esqueça, mora nos nossos corações.
E é por isso que viemos por meio desta, não pedir seu dinheiro. Queremos na verdade, mesmo já te tratando com imenso respeito e consideração, presentear você com uma oportunidade única e maravilhosa.
Vamos construir nosso centro de treinamento!
É verdade, que notícia sensacional, não?
Mas não é só isso.
Para que você, e todos os outros otários que nos dão dinheiro de todas as formas possíveis e imagináveis e recebem em troca uma combinação de nada com m... nenhuma, se sinta ainda mais intensamente nosso torcedor, vamos colocar em cada tijolinho desta construção, os vossos nomes.
Não é fantástico?
Nós, que já f$#@%¨* o clube, superfaturamos contratações medíocres, e que já pedimos para que você comprasse uma puseirinha vagabunda, que depositasse dinheiro em nossa conta e outras atitudes que mereceriam o "Nobel da Cara de Pau", agora queremos que você, isso VOCÊ, construa o nosso centro de treinamento.
Já que o clube é nosso, nada mais justo do que você construí-lo.
Portanto, compre já!
Por apenas R$250,00 você poderá dizer para todos os seus amigos, que foi mais um grande OTÁRIO a dar dinheiro para um bando de incompetentes que comandam seu clube há décadas, fazer a obrigação deles, ou seja, construir parte do nosso clube!
Não perca tempo! Você sabe, babaca no Brasil é o que mais tem.
Enquanto você lê esta cartinha, milhares, ou até milhões de babacas estão procurando saber como podem nos dar o dinheiro necessário para fazer o que é de nossa incumbência fazê-lo.
Um grande abraço!

Zezinho Canário - O presidente do torcedor otário!




sábado, 9 de outubro de 2010

Entrevista do Carvalho - Edição de 09 de Outubro de 2010 - WASHINGTON RODRIGUES

, FlamengoA "Entrevista do Carvalho" deste sábado é com o maior comentarista do Brasil e um ícone do rádio.
Washington Rodrigues, 74 anos de idade, 48 de profissão, e já 11 de Rádio Tupi.
Ele fala da profissão, da concorrência com o amigo José Carlos Araújo, das passagens pelo Flamengo, da briga com Romário e muito mais.
Abaixo, ele, o Velho Apolo!

1ª Parte

2ª Parte


Ultima Parte

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ídolo que envergonha


Ser do contra, fazer parte da extrema minoria, sempre me agradou.
Primeiro por viver numa sociedade cujas opiniões são em sua grande maioria hipócritas e superficiais.
Segundo porque a mesma sociedade, não por culpa dela é verdade, não tem capacidade intelectual sequer para votar, quiçá portanto para atestar o que é certo ou errado.
O simples fato de ser comungada pela imensa maioria da população, evidentemente não transforma uma opinião em verdade absoluta. Pelo contrário.
Ainda mais quando lembramos da famosa fase de Nélson Rodrigues.
Ainda mais quando se trata de um assunto apaixonante.

Critiquei Zico desde o início de sua gestão, pelas coisas que fez ou deixou de fazer.
Pelas ações e omissões no processo.
Jamais vou de antemão elogiar ou criticar alguém pelo que ela já fez.
Minha crítica, positiva ou negativa, estará sempre baseada no fato em análise, independente se a pessoa é simpática ou não, recorrente em acertos ou não, bonita ou não, querida(mesmo que seja por mim) ou não.
Por essa maneira de pensar e de forma consequente, de agir, é que abomino idolatrias, que não compro o cd de um artista que gosto pelo simples fato dele já ter feito algo bom. Vou querer ouvir antes para saber se este, que é afinal é o que vou comprar ou não, também o é.
A nossa sociedade repete em profusão frases feitas todo o tempo.
Poucas delas são procedentes.
Uma, que concordo, diz que ninguém é perfeito. Outra, diz que errar é humano.
No entanto são plenamente esquecidas quando o bichinho do fanatismo, da idolatria, da paixão cega e imbecilizada acorda dentro dos organismos dessas pessoas.
É por tudo isso, que vou comentar os trechos que realmente dizem alguma coisa, da carta de demissão de Zico.


"Considero nesse momento que não é possível fazer no Flamengo aquilo que eu gostaria."
OC: Porque não é possível? Quem não deixa? De que forma é impedido? Não tem como reagir? Está sendo ameaçado?

"Percebo que a minha presença não tem sido favorável"
OC: A quem? Não pode fazê-la passar a ser? Não tem armas para lutar?
"...não posso carregar comigo a desconfiança de um dos setores mais importantes do clube, o Conselho Fiscal."
OC: Porque não? Não fala a verdade? Não julga impossível que se prove algo contra você?

"...essas pessoas...dispostas a jogar sujo e minar o próprio clube."
OC: Estão jogando sujo de que forma? Com fiscalização e denúncias infundadas? Não pode provar o contrário?

"...minha presença está prejudicando o clube."
OC: De que forma? Denúncias em torno de seu nome, prejudicam o clube ou você?

"É preciso união e muita gente está mais preocupada em me tirar do cargo do que com o Flamengo. Portanto eu saio."
OC: Porque vai permitir que essas pessoas lhe derrotem? Porque a covardia? Cadê o amor pelo clube? Não acha que está tomando a atitude mais cômoda?

E as perguntas que não querem e jamais irão querer calar:

Não tinha a mais remota idéia de como as coisas aconteciam dentro do Flamengo?
Não sabia quem eram as pessoas que respondiam pelos setores de fiscalização do clube?
Não conhecia essas pessoas?
Não acha que fiscalização é algo natural e faz parte de um sistema democrático?
Não acha que "abandonar" o barco no momento em que o clube está numa terrível crise dentro de campo, em décimo quinto lugar, que não foi a posição que o encontrou, muito por sua culpa em função das contratações equivocadas de jogadores e treinador que fez, deixará o clube entregue a própria sorte?
Não acha que é um ato de covardia não encarar as tais denúncias?

E o principal:

Abandonar o clube pelo qual se diz apaixonado que está à beira de um rebaixamento, ganhando 300 mil reais para administrá-lo, é atitude de ídolo???

Com vocês, o veredicto.


Ps: Antes de publicar o post, vejo no Lancenet matéria em que Zico disse ao site a seguinte frase:
"Acho que o Flamengo pode acabar me perdendo para sempre"

Infeliz do clube que tem como maior ídolo alguém que se julga maior que ele.

BOMBA ! PEDIU PRA SAIR, ZERO DEZ?


Zico não é mais diretor do Flamengo.
Saiu antes do barco afundar com ele dentro, já que deve ter o exemplo de Roberto em 2008 ainda gravado na lembrança.
Numa análise direta do seu trabalho, foram quatro meses de erros, incompetência, covardia, insegurança e hipocrisia.
À quem torce pelo Flamengo, não deixa um pingo de saudade.
À quem passa pela vida com a necessidade de ser sempre fã, submisso e adorador de quem quer que seja, deve doer mais que um possível rebaixamento.
Não foi à toa que nos meus posts e vídeo-post em que falei de seu trabalho, chamei tais rubro-negros(?) de Ziquistas.
Numa sociedade cujo objetivo é sempre o acerto independente do acertador, é inaceitável e patético que se diga que "se fulano falou, então é verdade", ou "se beltrano fez, então está certo".
Foi colocado lá por covardia e incompetência da presidenta, que ao fazê-lo, quis se livrar da enorme e óbvia responsabilidade que é o departamento de futebol do clube.
Contratações equivocadas(desnecessário citá-las mais uma vez), omissão em momentos importantes(Renato xingou no jogo contra o Palmeiras, a tão decantada como importante, torcida), falta de comando(no absurdo episódio da permissão dada para que "torcedores" fizessem o que ele deveria fazer), hipocrisia(ao repetir inúmeras vezes que pela família não estaria lá, mesmo tendo conhecimento que todos sabem que ganhava 300 mil reais para a função), demissão de um treinador por outro ainda pior( praticada de forma covarde, fugindo da responsabilidade que o cargo exige, colocando na conta da torcida tal decisão) e ene outras coisas.
Na carta de despedida abaixo, fala, fala, fala e a única coisa que se extrai, é a reclamação de que setores do clube fizeram de tudo para derrubá-lo.
O que disse à época de suas explicações sobre a possível participação de seus filhos nas catastróficas negociações que fez, repito agora: pode até ser que tenha sido boicotado e tenha incomodado elementos influentes do clube.
Pena, que nem isso, nem a sua possível idoneidade e lisura, justifiquem a sua enorme incompetência à frente do futebol do Flamengo nesses quatro meses.
Período que começou com a covardia de quem indicou, e termina com a covardia de quem foi indicado.
Já vai tarde.
Ou não, espera a torcida.
 



"No dia em que aceitei o convite para ser diretor-executivo de futebol do Flamengo fiz questão de me manifestar através do meu site oficial, que sempre foi minha voz, meu canal de comunicação com as pessoas que me acompanham. E não poderia ser diferente agora que venho comunicar minha saída do clube.
"Considero nesse momento que não é possível fazer no Flamengo aquilo que eu gostaria. Percebo que a minha presença não tem sido favorável e, desde a minha chegada, vem causando o descontentamento de muitas pessoas. Não há condições para eu continuar.
"Estou sendo atacado injustamente, principalmente através de meus filhos, que em nenhum momento se envolveram em nada que estivesse em desacordo com os conceitos éticos e morais que aprendi com meu pai. Minha vida sempre foi calcada no trabalho, no respeito e no embate franco diante dos desafios. Não posso permitir que esse duelo covarde continue a acontecer usando a minha família, que vem se desgastando nas últimas semanas.
"Queria agradecer a Patrícia pela oportunidade de tentar fazer mudanças que considero importantes para o Flamengo, não apenas no futebol profissional. Meus planos seguiam pelas divisões de base, de onde eu vim, e vislumbravam a construção de um Centro de Treinamento - que sempre foi um sonho desde os tempos em que eu ainda jogava no clube. Espero que estas sementes não sejam desperdiçadas.
"Tomar uma decisão como essas não é fácil. Mas espero que todos entendam que não posso carregar comigo a desconfiança de um dos setores mais importantes do clube, o Conselho Fiscal. E não há condições de debater com essas pessoas que estão a serviço de sabe-se lá quem ou o que, dispostas a jogar sujo e minar o próprio clube.
"Quando aceitei o desafio de assumir o futebol do Flamengo, sabia das dificuldades e meu discurso era no sentido de uma atuação de consenso, unindo forças dentro do Flamengo. O objetivo era angariar o apoio de quem quisesse o bem do clube.
"Não travo batalhas de poder e dinheiro, jamais fiz em nenhum lugar por onde passei. Minha arma na guerra sempre foi o trabalho, a transparência e a lisura com as quais segui conduzindo cada negociação que fiz ao longo desse período como dirigente. Minha vida sempre foi aberta a quem quisesse pesquisar e, se não consegui levar o CFZ do Rio à Primeira Divisão do Rio, muita gente sabe que foi também por não me curvar aos desmandos de quem comandava o futebol carioca.
"Se eu cometi erros como diretor- e sou humano para isso – saibam que agi sempre no intuito de acertar e observando o que julgava melhor para o Flamengo. Em nenhum momento desonrei quem acredita em mim.
"Gostaria de agradecer ainda a cada funcionário do clube que me apoiou nesse período. Infelizmente não vai ser possível cumprimentar um a um, mas espero que todos se sintam abraçados por mim. E dizer aos jogadores, a quem eu também agradeço pelo apoio constante, que eu confio na capacidade deles de superar essa situação.
"Dediquei quase toda a minha carreira como jogador profissional
"Para mim, esta quinta-feira foi um dia especial porque nasceu meu neto Antonio, mas ao mesmo tempo morreu no meu coração esse Flamengo de hoje que está representado por essas pessoas, algumas delas que sequer conheço e atuam dentro do clube como se fossem os donos.
"Ao torcedor fica meu lamento e o maior agradecimento de todos. O que ouvi ao longo do tempo foi sempre apoio, incentivo, mensagens de força. Mas realmente, nesse momento sinto que a minha presença está prejudicando o clube. É preciso união e muita gente está mais preocupada em me tirar do cargo do que com o Flamengo. Portanto eu saio.
"Para encerrar, quem me conhece sabe que as acusações levianas envolvendo a minha família e o CFZ não vão ficar no esquecimento. Faço questão de ir atrás judicialmente de tudo o que foi dito dentro e fora do clube.
"Obrigado, Zico".

domingo, 5 de setembro de 2010

Última Parte - Entrevista do Carvalho - Edição de 4 de Setembro de 2010 - Andrade











BC – Alguma crítica construtiva te ajudou ano passado?
A: Com relação à imprensa não me lembro, pode até ter acontecido. Mas tem até um fato curioso. No início do trabalho no Flamengo ano passado, eu estava em dúvida entre uma formação, eu tinha uma coisa na cabeça, mas existia uma dúvida. Aí eu chamei alguns jogadores pra conversar. Eles disseram “vamos desse jeito”. Mas o que eu tinha na cabeça não era isso, era o contrário. Eu disse que não achava que era a melhor escolha, mas já que eles achavam, ok, vamos assim então. Só que nesse dia, as coisas não deram certo. Não é que da minha forma as coisas dariam certo, mas aquilo ficou na minha cabeça:  “eu fui com essa forma e não deu certo, podia ter ido com a que eu achava correta”. Dali em diante, eu não perguntei mais ao grupo. A dúvida era se eu colocava dois zagueiros ou três zagueiros, eu preferia dois, mas o grupo queria três.  O que acontece, é que o zagueiro quer que você bote mais um volante pra proteger ele. O cara da frente quer mais um armador pra municiá-lo...
BC – Se a gente excetuar Pet e Adriano que são óbvios como principais responsáveis pela conquista do hexa, qual outro jogador foi fundamental naquele título?
A: Um jogador que não foi falado, mas foi fundamental e que teve uma importância muito grande, foi o Éwerton. Ele foi importantíssimo naquele momento. O Juan se machucou, e ele foi jogar em seu lugar. Acho que na maior parte da competição, foi ele que jogou. Jogou como ala, como lateral, e eram posições que ele não gostava de jogar, já que era um meia, mas tinha muita qualidade, jogava tanto na lateral como na ala, de meia esquerda, de ponta esquerda. No fim do campeonato, coincidiu a volta do Juan com a fratura no pé dele, mas o Juan voltou ainda sem ritmo. Tentei muito manter ele no início do ano, mas oitenta por cento de seus direitos já eram de uma empresa. Pelo Flamengo, ele não teria saído.
BC – Andrade, você, Adílio, Zico, são diamantes que as divisões de base do Flamengo já revelaram. Mas o Flamengo vive uma crise nas divisões de base. Por qual razão você acha que o clube já não revela mais aquela quantidade de talentos que já revelou? Porque o jogador que chega ao profissional do Flamengo hoje em dia, acaba sendo emprestado, acaba não vingando?
A: O trabalho ali vinha sendo mal elaborado, foi mal feito, por isso o clube sofre agora com isso. Algumas pessoas que passaram ali dentro não fizeram o trabalho que tinha que ser feito. Durante uns quatro, cinco anos o Flamengo ficou entregue nas mãos de algumas pessoas que não faziam um trabalho dirigido ao Flamengo.
BC - Pessoas de fora do Flamengo?
A: Não, pessoas de dentro do clube, mas quem estavam envolvidas em outras situações. Hoje nós temos o Galhardo que ta pronto pra jogar, é indiscutivelmente o melhor de sua geração. Depois que o Léo Moura sair, o Flamengo pode ficar tranqüilo que ele vai jogar ali muito bem.
BC - Pra finalizar Andrade, a Nação Rubro-negra está sofrida, o ano não tem sido fácil, os resultados não saem, algumas pessoas já começam a discutir a condução do departamento de futebol pelo Zico, que mensagem você deixa para torcida?
A: Antes de mais nada, eu quero agradecer o apoio do torcedor do Flamengo, o carinho que sempre teve comigo, mesmo depois de sair do clube. Como rubro-negros, nós temos que acreditar, acreditar sempre, como acreditamos no ano passado. Nós rubro-negros temos que acreditar sempre na virada, em tentar uma vaga pra Libertadores. Hoje só nos resta isso, ter fé e acreditar que esse time possa se superar. Eu acredito nesse elenco, a base de 2009 está ali. Para fazer uma composição, um ajuste, falta pouca coisa. Apenas o ataque foi mais mexido, mas chegaram dois jogadores agora que a nível nacional, estão dentro dos padrões.

sábado, 4 de setembro de 2010

6ª Parte - Entrevista do Carvalho - Edição de 4 de Setembro de 2010 - Andrade


BC – Aquele grupo é indiscutivelmente o principal da história do Flamengo. Como já vimos, quando um time vence não se fala dos problemas. Aquele time do início da década de oitenta também tinha seus problemas de relacionamento, mas devido às vitórias serem muitas, esses problemas acabavam não chegando à imprensa?
A: Aquele time não tinha problemas, não tinha vaidades, mas eu nunca havia pensado nisso, talvez não tivesse em função do que falou, por causa dos resultados. Era um time que vencia muito, então os resultados acabavam por camuflar tudo, era um time que perdia pouco. Havia grupos de gerações diferentes, tinha o do Zico, Carpegiani, Raúl, Júnior que estavam já com seus vinte e sete anos. Havia um grupo de outra geração que era eu, Tita, Adílio, Júlio César, pois viemos da base jogando já há três anos juntos.
BC: Como você avalia a crítica esportiva hoje, a acompanha?
A: Há a crítica positiva e a negativa. Há colocações maldosas, pejorativas que são feitas pra denegrir a imagem da pessoa, é gratuita, debochada. Há aquela também que faz a crítica só depois do resultado, aí é fácil, até minha mãe vai me dar mil opções diferentes. “Depois do jogo eu faria isso”, eu também faria diferente pô, não deu resultado! Alguns fazem colocações como se fossem os donos da verdade. Eu fico pensando, se esse cara fala com tanta propriedade, se ele tem tanta certeza que é isso, o que ele ta fazendo ali, porque não vai pra beira do campo e vira treinador? Porque com certeza ele vai ganhar pelo menos duas, três vezes mais do que ganha ali. Fazem colocações como se aquilo fosse a grande verdade. Me refiro mais ao pessoal da televisão que vejo comentar, o pessoal que não jogou.       

5ª Parte - Entrevista do Carvalho - Edição de 4 de Setembro de 2010 - Andrade






 


BC – Você era Botafogo quando criança, certo?      
A: Sim, na minha infância em Juiz de Fora, eu torcia pelo Botafogo. Era aquela época de Jairzinho, Fischer, Ferreti, Paulo César, era o grande time da época.
BC – Aquele sexto gol contra o Botafogo no jogo da forra deve ter sido um dos principais gols da tua carreira. Apesar de não dar um título, é um dos momentos mais importantes da história do Flamengo e também da sua carreira. A tua alegria naquele gol é comparável a algum outro momento no futebol?
A: É a principal alegria. A final do mundial pode ser que chegue perto. Ainda bem que conseguimos, senão carregaríamos aquela frustração até hoje.
BC – Você naquele jogo da década de setenta, em que o Botafogo venceu por seis a zero no aniversário do Flamengo, você estava em Juiz de Fora e vibrou com aquela vitória, adorou?
A: Eu era garoto, devia ter onze, doze anos, já era Botafoguense, fiquei feliz com aquela vitória.
BC – E no seis a zero que você realizou para a torcida do Flamengo, vibrou mais ainda?
A: Sim. Aquele sexto gol, quando você faz um gol com o Maracanã cheio, a importância que tinha aquele gol, parece que em alguns segundos, você flutua, parece que é um astronauta, e apaga tudo na tua mente, não sabe onde está, se está no Maracanã, e dali a um segundo você volta a realidade. É um momento tão prazeroso, de tanta alegria que você se desconecta, sai do ar por alguns segundos.


BC – Você lembra do clima no vestiário depois do jogo?
A: Era um clima de alegria, de euforia, quase um título. Vestiário lotado, imprensa, aquele alvoroço, dirigentes, parecia que tínhamos ganho um título. E eu tive um privilégio, porque não era um goleador, naquela época a gente jogava com um volante só, eu quase não saía pro ataque, aparecia de surpresa pois chutava bem de média distância, pegava uns rebotes. Naquele jogo eu tive duas chances, uma que chutei por cima que eu brinco que foi pra aquecer, e depois aquela bola que era uma jogada típica do Flamengo, trabalhada de pé em pé. Tive uma felicidade de pegar bem, era uma bola muito difícil de pegar de bate pronto, e ela pega na veia. Ou você pega na veia ou manda na geral. Foi um privilégio, no meio de tantos artilheiros, fazer o gol da vingança.

4ª Parte - Entrevista do Carvalho - Edição de 4 de Setembro de 2010 - Andrade


BC – Eu me lembro de uma entrevista do ex-vice de futebol do clube Marcos Bráz na ESPN Brasil, em que ele dizia que caso Vágner Love viesse a jogar no Flamengo, ele teria sim os mesmo privilégios do Adriano. Esse tipo de declaração da pessoa a quem você recorre quando há problemas, acabou atrapalhando, era evitável?
A: Acho que ele não queria dizer isso. Mas acabou falando e foi ruim, ele era o chefe e se o chefe fala que este jogador tem regalias, eu sou o treinador, estou abaixo dele, como eu vou dizer que não? Isso soou mal pros outros, como é o caso do Pet, ele se indispôs com isso. Ele estava no mesmo patamar dos outros dois mas só os dois teriam regalias e ele não. Isso mexeu realmente com a vaidade, com o emocional dos jogadores. Acredito que até com o Bruno também tenha mexido, personalidade forte, carisma muito grande perante a mídia e a torcida... Nos outros talvez nem tanto. Mas em relação a esses dois jogadores, Pet e Bruno, houve um efeito negativo. E eu, abaixo do Marcos, não podia chegar pro Adriano e pro Vágner e dizer “Olha, vocês não tem”. E no final de tudo isso ainda puseram tudo na minha conta, dizendo que eu não tinha comando. Ninguém assumiu nada, ninguém segurou nada. Mesmo com fatos como esse se tornando públicos, eles acharam mais simples botar tudo na conta do Andrade, é mais prático. Ninguém teve coragem de assumir nada, as pessoas se omitiram e depois forma dizer que o Andrade é que não teve comando, quando na verdade todo mundo sabe que não foi bem assim. Eu tinha que treinar o time, pôr o time em campo, se eu fosse cuidar da parte disciplinar, eu não precisava de mais ninguém, não precisava de gerente de futebol. Achei que foi uma covardia, quando fizeram esse tipo de colocação que eu não tinha comando. Todos sabem que em todos casos de indisciplina nos clubes o primeiro a falar é o gerente de futebol, no caso do Obina e do Maurício no palmeiras o gerente de futebol foi até a televisão e falou. Eu vi o Silas chegar agora no Flamengo e falar que a parte disciplinar é problema da diretoria. Como é que um grupo sem comando é campeão brasileiro? Peguei um grupo desacreditado, muitos diziam que íamos brigar pra fugir do rebaixamento, diziam que tínhamos um por cento de chances de ser campeão.
BC - Você não acha que no momento dessa declaração do vice de futebol, a presidenta deveria ter assumido a responsabilidade? Ela se omitiu?
A: É verdade, mas eu não gostaria de ficar acusando ninguém agora, mas ela poderia ter tomado a frente como a presidente do clube ela está acima de todos. Poderia ter tomado uma atitude, mas preferiu não fazer nada, poderia ter chegado ali e dito “Não, eu não concordo com isso”. Mas, naquele momento ela preferiu não tomar uma posição. Só acho injusto depois querer colocar na minha conta.


BC – Na saída do Rogério você foi eleito o principal nome para substituí-lo, uma situação rara, pois você havia saído há apenas quatro meses. Sendo o diretor atual um ex-companheiro, você chegou a alimentar esperanças de ser chamado para voltar?
A: Eu tinha todo apoio do torcedor, as pesquisas sempre me apontavam como o principal nome para assumir o time, aliás agradeço esse apoio da nação rubro-negra que sempre esteve do meu lado, as pessoas na rua sempre me agradecem, isso é algo que me engrandece, muitas vezes até torcedores de outros clubes. Minha relação com Zico é normal, mas o fato dele estar lá não ajudaria nem atrapalharia, não sei se dependeria apenas dele. Mas é um critério, acharam que a minha volta não seria interessante e eu respeito isso, mas acho que minha volta ao Flamengo seria reconhecer o erro, e as pessoas são muito orgulhosas pra reconhecer os erros, não tem essa humildade. As pessoas do meio do futebol, são orgulhosas, vingativas.

3ª Parte - Entrevista do Carvalho - Edição de 4 de Setembro de 2010 - Andrade



 

 

BC – Ele te surpreendeu muito ano passado? Quando ele chega no Flamengo, vêm de passagens medianas, por Atlético Mineiro, Santos Goiás, principalmente em comparação a quando jogou no Flamengo, Fluminense.

A: Não. Ele foi sempre um grande jogador, acima da média, só precisava de uma oportunidade. Sabia que já era um jogador com 36 anos, que em toda sua carreira não foi de grande dinâmica, era mais cerebral. E eu comecei a dar oportunidades pra ele. A princípio no banco, o colocava no segundo tempo, deixava jogar trinta minutos, trinta e cinco minutos. Contra o Goiás entrou no segundo tempo e mudou o jogo. Fui pondo ele devagar, aos poucos, e aí ele foi pegando ritmo de jogo. No jogo do Goiás mesmo, nós perdíamos de dois a zero no primeiro tempo, acabamos perdendo no final, mas ele mudou a história do jogo. Chegamos ao empate e devido a alguns erros de arbitragem nós não vencemos aquele jogo. E ele foi o nome do jogo. Ali eu vi que era o momento dele começar jogando, dele provar pra mim que tinha condições de começar jogando, e a partir de então ele manteve um nível bom, jogando o primeiro tempo, depois jogava também o início do segundo, e assim ele foi uma peça chave no brasileiro do ano passado. Era o meu braço direito em campo. Sabia quando tinha que pisar na bola, é um jogador que enxerga o que os outros não enxergam, o espaço vazio. É diferenciado.

BC – No início desse ano, quando as coisas não começaram saindo muito bem dentro de campo em termos de resultado, falou-se que o Pet poderia ter algum tipo problema de relacionamento com o elenco. Porém, quando o time foi campeão brasileiro não se falou disso, mas bastaram os resultados não virem que isso explodiu. Isso procedia ou foi mais uma desculpa que algumas pessoas arrumaram pra justificar?

A: Em 2009 poderia haver uma certa vaidade, mas enrustida. Depois do título, ela aflorou por parte de alguns jogadores. E isso realmente começou a prejudicar o grupo. A mídia se voltou ainda mais pra gente e a vaidade, o ciúme apareceram. Mas nada que não pudesse ser controlado, administrado.

2ª Parte - Entrevista do Carvalho - Edição de 4 de Setembro de 2010 - Andrade

BC – O respeito acaba sendo menor?


A: Sim, acaba sendo menor. Você vê que quanto mais mal educados são esses treinadores, mais valorizados eles são, mais respeitados. Já profissionais como eu, que atendem todo mundo bem são tachados de não serem treinadores ainda, não tem preparo. Agradeço a torcida do Flamengo, por ela estaria de volta ao clube. Mas se eu tiver que ser um cara mal educado, mal humorado e arrogante pra ser um treinador então eu não vou ser treinador, teria que mudar minha personalidade, não saberia fazer isso. Mesmo quando estava por cima, no auge, atendia a todos com educação.

BC – Com os jogadores houve algo parecido?


Andrade: Não, a minha história fala por mim, sempre houve o respeito. O episódio do Bruno foi um fato isolado, eu apitava um treinamento e ele que é cabeça quente, me dirigiu algumas palavras que eu não gostei. Disse que eu estava apitando para o time de colete, eu disse que não tinha porque estar apitando para o time de colete ou pro outro, eram todos Flamengo ali. Então ele disse que não iria participar de uma palhaçada e eu disse que não havia palhaçada ali, se havia algum palhaço ali era ele. Depois disso eu sai, mas ele veio atrás de mim e me dirigiu algumas palavras que um fotógrafo acabou ouvindo. Ele disse “Você não é meu treinador!”, “Nunca trabalhei com você!”. Por ironia do destino, eu acabei além de ser seu treinador, fui treinador campeão brasileiro. Se eu fosse vingativo, poderia retaliá-lo, tirar sua faixa de capitão, mas não sou de guardar mágoa. Logo depois ele se desculpou vi que havia sinceridade naquilo e morreu ali. Depois tivemos um ótimo relacionamento, acho que serviu até pra fortalecer. Em algumas situações, como ele era o capitão, eu pedia pra ele conversar com o grupo que eu precisava concentrar dois dias antes de um jogo importante, ou viajar dois dias antes e ele dizia “Pode deixar, eu converso com o grupo”, estava sempre pronto pra atender meus pedidos . Houve momentos difíceis pra ele, ele falhando em três jogos seguidos, a torcida no pé dele, mas eu o apoiei e ele acabou sendo um dos personagens do brasileiro.


BC -  Você talvez seja um dos raros ótimos jogadores que se tornaram ótimos treinadores, vencedores, é o recordista de títulos brasileiros. Quando você resolver seu treinador, foi fundamental você ter sido jogador antes?


Andrade: Acredito que sim. Eu sei das dificuldades que um jogador está passando dentro de campo, é um ganho muito grande, sem desvalorizar os outros treinadores que não foram jogadores, mas este fato te ajuda a entender as dificuldades que o jogador tem. Você tem como corrigir o posicionamento do jogador em campo, corrigir como o jogador bate na bola, você pode explicar isso pra ele. Eu posso chegar pro jogador e dizer: “Você perdeu aquele gol porque entrou com a perna errada, a bola tava vindo da direita, tinha que entrar com a esquerda”. São alguns detalhes que você pode passar pra ele. Detalhes que de repente você até viveu dentro de campo. No aspecto tático também ajuda e eu sou uma pessoa sempre aberta à conversa, não sou o “dono da verdade”, o jogador pode fazer uma colocação que você pode perceber que ele tem até razão.


BC – Qual jogador com quem você trabalhou que mais lhe ajudou, neste aspecto, que mais fazia observações relevantes?


A: Um cara que é inteligente, e que tem uma visão muito parecida do futebol, da forma de jogar era o Pet. Conversava muito com ele, sempre tinha algo pra acrescentar.
BlogBlogs.Com.Br